Pediatria

Primeiros socorros : O que fazer em caso de acidentes domésticos

Ressuscitação cardíaca e pulmonar

Em muitos acidentes domésticos, antes do atendimento médico-hospitalar, ocorre uma parada da circulação e da respiração com grave risco de vida para o doente. É muito importante que os pais aprendam a fazer um primeiro atendimento para estas situações com risco de vida, de forma a evitar que ocorra o pior ou mesmo dar à criança chance de sobreviver com boas condições, ou seja, sem dano cerebral.

Estes primeiros-socorros são chamados de ABC da ressuscitação. Estas letras, procurando uma analogia com o ensinamento das primeiras letras, são retiradas das iniciais em inglês do que se deve ser procurado como urgência máxima em uma criança em risco de vida. A de airway, ou seja, via aérea; B de breathing, ou seja, respiração; e C de circulation, ou circulação.

A primeira coisa a ser feita é verificar se o bebê está respirando e se o seu coração está funcionando de maneira adequada. A cor da pele estando arroxeada (moteada) e os lábios cianosados são o primeiro sinal. Para termos certeza de que o coração está batendo, devemos apalpar uma artéria de grosso calibre e sentir sua pulsação. Os melhores lugares para esta avaliação são o pescoço (veia carótida) e a região inguinal (veias femorais).

Se a criança não respira, ou o faz de maneira irregular, e se o seu pulso não puder ser apalpado, deve-se iniciar imediatamente a ressuscitação artificial. Seguindo o método ABC, a prioridade é estabelecer uma via aérea adequada. Antes de ventila-la, deve-se livrar a boca da criança de qualquer corpo estranho, água, vômitos, objetos, etc. A respiração deverá ser feita através da respiração boca a boca, soprando-se ar para dentro dos pulmões. Para crianças maiores, fecha-se o nariz com umas das mãos enquanto se sopra na boca até que se sinta elevação do seu peito (tórax).

O terceiro passo deverá ser fazer a massagem cardíaca, para que o sangue volte a circular. Deve-se fazer pressão sobre o esterno (osso na frente do tórax, onde as costelas se encontram), fazendo com que ele desça mais ou menos 1 ou 2cm. Faz-se cinco compressões para cada “soprada” de ar na boca.

Duas observações importante:

  1. Sempre que possível, peça ajuda antes de iniciar as manobras de ressuscitação. É importante ter uma pessoa auxiliando na reanimação e chamando por socorro especializado.

  2. Assim que for possível, chame uma ambulância ou remova o doente para um serviço de urgência mais próximo.

Afogamento

As medidas de socorro terão de ser imediatas. O afogado apresenta pulso fraco, perda da consciência e queda de temperatura. Às vezes apresenta-se com coloração azul (afogado azul); outras, extremamente pálidos (afogado branco). O primeiro cuidado, depois de tirar as roupas molhadas, é colocar a criança sobre os joelhos, em decúbito ventral, para fazê-la expelir a água ingerida. Limpe ou aspire as secreções do nariz e garganta, iniciando, imediatamente, a respiração artificial (mencionada na ressuscitação cardíaca e pulmonar). Aquecimento com cobertas ou bolsas quentes, fricções com álcool também poderão ser úteis.

Artralgia (dor nas articulações)

Sua maior causa é o traumatismo, a pancada; se não houver ferimento penetrante ou escoriação (arranhadura), bastará aplicar compressas geladas, ou mesmo gelo, e fazer a criança repousar e tudo estará bem. A radiografia só será exigida se houver suspeita de fratura. Se aparecer febre, há perigo de infecção do osso (osteomielite), que torna o caso grave e a assistência médica indispensável. Dores nos joelhos e nos tornozelos são comuns durante a infância. Não havendo vermelhidão, inflamação, aumento do volume, sensação de volume ou sensação de calor, geralmente nestes casos a causa está nas próprias atividades diárias (correrias, quedas, pulando ou andando de triciclo) e a criança só se queixará algum tempo depois da pancada. Normalmente esta dor só dura de seis a oito horas. Se ela persistir por mais de 24 horas, o médico deverá ser consultado. Outro fato que deve ser valorizado é o de mais de uma articulação afetada ao mesmo tempo.

Quando a criança que se queixa de dor nas articulações, sem qualquer história de traumatismo, começar a capengar (claudicar), diversas causas deverão ser procuradas: reumatismo, artrite, alergias, disritmia e outras doenças.

Asfixia – Insuficiência respiratória na criança

A asfixia é o estado clínico resultante da obstrução da passagem de ar através das vias respiratórias, nos próprios pulmões ou ainda a incapacidade de os glóbulos vermelhos fixarem o oxigênio do ar (no caso do envenenamento).

A criança asfixiada, sufocada, apresenta sintomas clínicos conhecidos: movimentos respiratórios acelerados (taquidispnéia), retração acima das clavículas, entre as costelas e abaixo delas, batimentos das asa do nariz, gemidos, coloração azulada dos dedos e lábios (cianose), escurecimento da visão (obnubilação), perda dos sentidos, desmaio e coma. As causas da asfixia em clínica infantil devem ser dividias em dois períodos: o primeiro, do recém-nascido; o segundo, dos bebês de 1 a 24 meses. Recém-nascidos: as causas são membrana hialina, aspiração maciça do líquido amniótico, septicemia, pneumotórax, enfisema, malformações congênitas de qualquer local das vias aéreas, cardiopatia (doença do coração), hemorragia pulmonar e traumatismo cerebral. No bebêapós trinta dias de vida até dois anos: obstrução das vias aéreas ou corpo estranho, infecções, laringites, bronquiolites, pneumonia, septicemia, doença do coração (cardiopatia congênita), infecções no sistema nervoso, como meningites e encefalites, e asma brônquica.

Tratamento

O tratamento depende da causa do que está provocando a asfixia. Entretanto, existem medidas de ardem geral, como a de dar oxigênio de qualquer maneira, por cateter (tubo plástico) nas narinas, máscara, tenda de oxigênio, recursos “heroicos” (como a intubação e a traqueostomia), aumentar a umidade do ambiente (vapor d’agua) e hidratar a criança, a fim de evitar desidratação.

A Asma

Conselhos para os pais quando seu filho tiver uma crise de asma:

  1. Todos deverão manter a calma, pois o temor, a angústia passam à criança, agravando a crise;

  2. Mantenha a criança deitada ou sentada na cama, confortável, recostada num travesseiro;

  3. Distraia-a com a televisão, com o rádio, converse ou conte-lhe histórias;

  4. A criança deverá estar sempre acompanhada, se possível, de uma pessoa de que goste e lhe transmita confiança e segurança;

  5. Faça com que ela beba líquidos (sem força-la)

  6. Evite odores fortes, como o de comida (peixe frito e outros, por exemplo), pintura de paredes de quarto e a presença de animais (gatos, cachorros ou aves);

  7. Cuidado com vaporizadores. Os vaporizadores para aumentar a umidade do ar podem ser úteis para ouras doenças do aparelho respiratório, mas raramente ajudam a melhorar a crise asmática e, em alguns casos, podem até piorá-la, considerando que existem asmáticos em quem a umidade agrava a dificuldade respiratória;

  8. A medicação deverá ser prescrita pelo médico se for a primeira crise; no caso de ser repetição, doente crônico, poderá ser administrado o medicamento já empregado e que tem dado resultado satisfatório;

  9. O mal asmático (status asmático), a crise que não cede com medicação habitual e se prolonga, requer hospitalização.

Quando a criança em crise asmática deverá ser hospitalizada:

  1. No caso de não melhorar com a medicação adequada e rigorosa por mais de 24 horas;

  2. Quando desidratada, mesmo sem apresentar vômitos ou diarreia, mas que apresente transpiração abundante (sudorese intensa), boca, e língua secas, dificuldade de cuspir ou expectorar (escarrar). A desidratação dificulta a ação terapêutica da medicação habitual.

  3. Com a presença de vômitos constantes;

  4. Quando os pais estiverem apavorados e o doente angustiado, amedrontado;

  5. No caso de hipercapinéia (excesso de gás carbônico no sangue), o asmático se apresenta sonolento, com diminuição de resposta à dor, perturbação da consciência, contrações musculares involuntárias, tônus muscular reduzido (braços e pernas moles);

  6. No caso de hipoxemia (diminuição de oxigênio), o asmático apresenta-se cianótico (lábios azulados), inquieto, agitado, cansado, com dificuldade para falar e com batimentos acelerados do coração (taquicardia).

Choque Elétrico

Os acidentes causados por corrente elétrica, provocados por aparelhos eletroeletrônicos e tomadas, apesar de serem de baixa tensão, não deixam de provocar sintomas para os acidentados, desde queimaduras, vertigens e desmaios até a inconsciência e mesmo parada respiratória e parada cardíaca. O tratamento inicial consiste em afrouxar as roupas e colocar compressas frias na testa e, se for mais intenso, fazer respiração boca a boca. No caso de a criança ficar presa pela corrente elétrica, a medida imediata é desliga-la e livrar a vítima, usando borracha, madeira, plástico ou luvas isolantes. Dos aparelhos domésticos, a televisão deverá ser vigiada com maior cuidado, por ser o mais perigoso (alta tensão). Outro problema é quando a criança morde um fio elétrico, o que pode levar a uma grava queimadura em volta da boca, com grande perda de tecido.

Contusão craniana – pancada (traumatismo) na cabeça

Receber pancadas na cabeça (golpes, choque, banque) é comum no decorrer da infância. É para a criança que nunca caiu da cadeira, da cama ou, correndo, caiu e bateu com a cabeça no chão ou nos móveis. Um educador americano já disse que a criança que nunca deu uma cabeçada ou levou uma queda deve ser observada com a maior atenção.

Geralmente muito choro e um apertado abraço da mãe superam as dificuldades; em alguns minutos tudo é esquecido, a criança voltará a brincar normalmente e nada deverá ser feito; os pais deverão ficar calmos. Há um ditado popular que diz: “Deus protege as crianças e os bêbados”, ou “À criança e ao borracho, Deus põe a mão por baixo”.

Quedas de cabeça decorrentes de certa altura ou encontrões contra móveis, portas e colegas pode, trazem problemas. Pancadas deste tipo causam dor e a criança habitualmente grita, revelando sofrimento; a criança para, senta ou fica deitada, segurando a cabeça, e terá uma expressão fisionômica de quem está apavorado. Após alguns minutos, embora revelando sofrimento, ela procurará estabelecer contato com as pessoas e, se for maior, conversará sobre o ocorrido. Ela acusará dor de cabeça e procurará se deitar ou dormir. Poderão ser colocadas compressas frias no local da pancada.

Traumatismo (pancada) no globo ocular

Corpo estranho (cisco, grão de areia etc.)

No caso de a criança sofrer com a pancada forte, pingue uma ou duas gotas de anestésico próprio para os olhos. Após a aplicação, fechar o olho com compressa de gaze, mas sem apertar. No caso de haver um corpo estranho, não o aperte nem esfregue, nem procure tirá-lo com a ponta de um lenço; o om mesmo é chorar, pois as lágrimas lubrificam os olhos e conduzem o corpo estranho para o canto interno, acabando por ele sair sozinho. O indicado é lavar bem os olhos com água. Se houver um anestésico ocular, pingue uma ou duas gotas, e após trinta segundos lave-os abundantemente durante três a cinco minutos, e em seguida coloque uma compressa de gaze.

Para os casos de contato com ácida, álcool, amônia, agentes físicos (como queimaduras de sol. Devido ficar olhando diretamente o sol ou a radiação de raios ultravioleta) ou secreção de plantas, o tratamento será o mesmo que o aconselhado anteriormente.

Desidratação

A desidratação é causada pela perda de água e de sais minerais pelo corpo humano. É a condição clínica mais comentada pelos pediatras. Três motivos justificam toda publicidade sobre o assunto:

  1. A sua frequência

  2. A sua gravidade (podendo causar perigo de vida)

  3. A facilidade de ser evitada ou tratada. É, sem dúvida, a emergência mais frequente em clinica infantil. Sua importância é devida ao fato de que grande parte do corpo humano é composta por água. Num adulto, 55% do peso correspondem à água que o corpo contém; na criança, essa proporção é ainda maior, e no recém-nascido 80% do peso são correspondentes à água. A água encontra-se nas células e os vasos sanguíneos. Este espaço é o “reservatório” de água do organismo, que “socorre” as células, as artérias e as veias. Quando precisa de mais água, este reservatório é controlado e regulado pelo funcionamento dos rins, e assim eles funcionam como uma fonte reguladora. Faltando água nas células, nas artérias e nas veias, ele a fornece imediatamente, para que o funcionamento do organismo não sofra a mínima interrupção. Porém, quando este reservatório está deficiente ou vazio (desidratado), a tragédia está formada. Se o sangue estiver pobre em água, ficará viscoso, e a circulação do sangue diminui e não fornecerá ao cérebro, os pulmões, ao fígado, aos rins e a outros órgãos a quantidade suficiente de sangue para seu funcionamento.

De modo geral, os sintomas da desidratação são fáceis de ser percebidos:

  1. A criança tem sede;

  2. Urina pouco ou nada;

  3. Apresenta músculos flácidos, moles;

  4. Apresenta irritabilidade;

  5. Há perda de peso;

  6. Tem pele seca, com “sinal da prega positiva”;

  7. A mucosa da boca apresenta-se seca e descorada;

  8. Língua suja (saburrosa);

  9. A moleira mostra-se deprimida;

  10. Os olhos parecem fundos, encovados, sem lágrimas.

Tratamento:

Felizmente já dispomos de conhecimentos e meios adequados para evitar ou tratar a desidratação. O mais importante é que os pais aprendam a reconhecer os sinais de desidratação e tomem logo as medidas indicadas, de preferência com orientação do pediatra.

Ofereça à criança a solução reidratante oral (SRO), que pode ser preparada da seguinte maneira:

  • 1 litro de água

  • 1 colher (das de café, cheia) de sal

  • 2 colheres (das de sopa, cheias) de açúcar

  • Gotas de limão (a gosto)

Desmaio

Tecnicamente é conhecido como lipotimia, o desfalecimento subido da criança. Pode ter diversas causas; os sintomas são palidez, suor frio, náuseas e visão escura. A causa reside numa diminuição da circulação sanguínea do cérebro. Basta deitar a criança com a cabeça mais baixa do que os pés, desapertar suas roupas, fazer fricção nas mãos e dar-lhe café. É frequente quando a criança está em jejum. No caso de repetição, poderá ser equivalente de ataque de origem neurológica.

Providências:

  1. Coloque a criança deitada na cama;

  2. Aliviei seu pescoço;

  3. Mantenha-a aquecida;

  4. Deixe sua boca desobstruída;

  5. Não lhe dê nada para beber;

  6. Comunique imediatamente ao médico.

Envenenamento

Veneno é qualquer substancia toxica que, se for ingerida em quantidade elevada, pode provocar danos ao funcionamento normal do organismo. Qualquer substancia não alimentícia é um veneno em potencial. É uma das principais causas de morte e motivo de hospitalização de crianças. A criança entre um e três anos de idade leva tudo o que encontra à boca, morde e chupa qualquer objeto. Essa atitude faz parte do desenvolvimento normal, constituído um modo de aprender a respeito das coisas. Elas comerão e beberão tudo aquilo que lhes parecer interessante.

Hoje, dentro dos padrões da nossa civilização, é comum as pessoas terem em casa diversos medicamentos e drogas para as mais diferentes finalidades: sedativos, tranquilizantes, antitérmicos, anticoncepcionais, antibióticos, cosméticos, desinfetantes, inseticidas e os mais variados remédios para doenças crônicas ou agudas, como gotas para o nariz, xarope para tosse, remédios para asma, enfim, uma série deles. Consequência desta grande farmácia doméstica é a possibilidade de as crianças beberem ou engolirem estas substancias, devido à sua perigosa curiosidade e à mínima distração de seus pais.

Se a criança ingerir qualquer substancia, principalmente se considerada tóxica, os pais deverão imediatamente tomar providências, mesmo antes da chegada do socorro médico. Estas providências deverão ter duas finalidades: primeiro, tirar o veneno e, segundo, administrar um antídoto, isto é, um neutralizante; esta prática deverá ser feita sempre que necessário e os pais também deverão ter algum conhecimento.

A primeira medida geralmente é a de provocar vômitos para a criança expelir a substância tóxica. Entretanto, este procedimento deverá ser evitado quando da ingestão de soda cáustica ou voláteis (querosene, gasolina), além dos pacientes desacordados. Portanto, a primeira e clássica medida é a de enfiar o dedo na garganta da criança, ou administrar xarope de ipeca, prática comum nos Estados Unidos, e sobre a qual falaremos em seguida. Igualmente, fazer a criança ingerir uma substância neutralizante, contendo o que se chama de antidoto universal, ou administrando-lhe carvão ativado ou magnésia calcinada é também outra medida. A prática de fazer a criança ingerir grande quantidade de água morna para vomitar é mais um recurso.

O xarope de Ipeca

É o meio mais prático de provocar vômitos, com a devolução do medicamento ingerido. Os pais deverão ter em casa um vidro de xarope de ipeca 30ml, não mais, para evitar que a criança o tome todo ou, na afobação, os pais o deem em exagero. Esta dose é segura e livre de qualquer efeito colateral, mesmo se for ingerida toda: somente doses maiores de 30ml são tóxicas. O xarope de ipeca, em vidro fechado, conserva-se até por um ano; basta depois renová-lo. Depois de dado à criança, ele provoca, em 90% dos casos, vômitos dentro de vinte minutos. A devolução do material ingerido é estimada em 90 a 100%.

Não confunda o xarope de ipeca com o extrato de fluido de ipeca, que é quatorze vezes mais forte e nunca deverá ser empregado. A dose de ipeca para uma criança de mais de um ano é de 15 a 20ml, 1 colher das de sopa; menos de um ano, 1 colher das de chá ou das de sobremesa, podendo ser repetida somente uma vez. Deve-se, seguida, dar à criança 200ml, isto é, um copo de água, para facilitar o exame do conteúdo do vômito. Finalmente, a criança deverá ser mantida ativa; não a deixe dormir, para assegurar o efeito do remédio. Se ela não vomitar dentro de vinte minutos, repita a dose, mas de 15ml (1 colher de sopa). No caso de ela não vomitar, deverá ser submetida a uma lavagem gástrica. Não deverá ser adicionado qualquer preparado de carvão absorvente, porque ele neutraliza a ação da ipeca.

Fórmula de xarope de ipeca:

  • Extrato fluido de ipecacuanha – 7ml

  • Glicerina – 10 ml

  • Xarope – 83ml

Contraindicações

Em crianças menores de seis meses, na ingestão de derivados de petróleo (querosene e gasolina) e corrosivos ácidos ou alcalinos.

Conduta nos diversos tipos de intoxicação

Recomendações do Ministério da Saúde para o tratamento das principais causas de intoxicação aguda

  1. Em pequena quantidade, não apresentam problemas. Administre líquidos. NÃO É NECESSÁRIO TRATAMENTO ESPECÍFICO.

  2. Provoque vômitos, após administração de água morna e estímulos: crianças de até um ano, 2 colheres (das de chá) de xarope de ipeca, seguidas de 1 ou 2 copos de água; crianças acima de um ano, 1 colher (das de sobremesa), seguida de 2 ou 3 copos de água. Administre 2 colheres (das de sopa) de carvão ativado para 100ml de água.
    Não tente provocar vômitos em pacientes semicomatosos, comatosos ou que apresentem convulsões. Chame o Centro de Envenenamento para informação complementar.

  3. Diluir ou neutralizar com água ou leite. NÃO PROVOQUE VÔMITOS. Use carvão ativado. É indicada a lavagem gástrica. Chame o Centro de Envenenamento para instruções especificas.

  4. Tratamento sintomático. No caso de suspeita de botulismo, chamar o Centro de Envenenamento para instruções especificas.

  5. NÃO PROVOQUE VÔMITOS. Dilua ou neutralize com água ou leite. Evite lavagem gástrica. Os produtos ingeridos poderão causar queimaduras nas mucosas. Consulte um endoscopista após o tratamento de emergência. Chame o Centro de Envenenamento para instruções específicas.

  6. Lave amplamente a pele com água corrente. Chame o Centro de Envenenamento para informações especificas.

  7. Lave os olhos com água corrente durante quinze minutos. Chame o Centro de Envenenamento. Deverá ser feita uma avaliação por um oftalmologista.

  8. Antídotos específicos são indicados. Chame o Centro de Envenenamento.

  9. Remova-a para um lugar ao ar livre. Cuidados respiratórios são fundamentais. Chame o Centro de Envenenamento.

  10. Chame o Centro de Envenenamento para instruções especificas.

Telefone Centro de Envenenamento: :0800-722601

Mordida de cachorro ou gato

O local da mordida deverá ser limpo, lavado com água filtrada ou mesmo da torneira, com sabão. Se não estiver sangrando, mantenha o local debaixo da torneira por alguns minutos. Aplique, depois um curativo feito com gaze esterilizada. A aplicação de antibióticos, de vacina antitetânica ou da vacina contra a raiva dependerá das condições do acidente e da decisão do médico.

Mordida humana

A possibilidade de uma criança ser mordida por outra é um fato. Se houver apenas contusão, isto é, somente as marcas dos dentes, bastará lavar o local com sabão com hexaclorofeno. Porém, no caso de um ferimento sangrar, há possibilidade de inflamação, devido a uma infecção. Se a infecção se revelar mais intensa, é indicado o emprego de antibiótico por via oral ou injeção intramuscular. Em alguns casos, as crianças ficam nervosas, e a administração de um sedativo suave ou mesmo o emprego de aspirina será útil. Quando a extensão da lesão for grande, e havendo possibilidade de contaminação com terra, a reativação da vacina antitetânica deverá ser considerada. Geralmente há possibilidade de contaminação por bactérias (micróbios) que normalmente existem na saliva humana. As mordas que exigem maior atenção são localizadas nas articulações dos dedos das mãos, devido à possibilidade de ruptura ou inflamação das cartilagens e ligamentos, sempre de tratamento mais delicado e demorado.

Corpo estranho engolido (presentes nas vias digestivas)

Engolir objetos é o risco das crianças que levam tudo à boca. O objeto poderá se localizar no esôfago (é o tubo que liga a garganta ao estomago), no próprio estômago ou nos intestinos. Quando localizado no esôfago, o corpo estranho provoca regurgitação, desconforto, desassossego, um grande mal-estar. No estômago e nos intestinos, são bem tolerados; o objeto que passa pelo estômago geralmente é expelido, embora pareça impossível, como alfinetes de fraldas abertos. O importante é não ter pressa, esperar alguns dias, se o estado da criança se apresentar normal. Atualmente, com o uso casa vez maior de objetos de plástico, o número de corpos estranhos transparentes tem sido muito mais frequente quanto ao seu aparecimento no aparelho digestivo. Os raios X e ultrassonografia abdominal são indispensáveis para fazer o diagnóstico.

Picadas venenosas (de animais peçonhentos)

Cobras

O acidente causado por uma picada de cobra venenosa denomina-se ofidismo. As cobras venenosas mais comuns são a jararaca, a jararacuçu, a cascavel, a surucucu e a cobra coral.

Características das cobras venenosas: cabeça triangular, achatada, “separada” do corpo, olhos pequenos, fossas lacrimais entre os olhos e as narinas. Cauda curta e grossa, afilando bruscamente. Picada: simples arranhões, quatro linhas de escoriações superficiais ou duas linhas com dois orifícios maiores nas pontas e inchação no local.

Não-venenosas: cabeça alongada, arredondada, olhos grandes, fossas lacrimais ausentes, cauda longa, comprida, afilando gradativamente. Picada: somente dois orifícios nítidos.

Tratamento: amplie a ferida provocada pela mordida da cobra, espremendo bem o local, para que o sangramento produzido elimine parte do veneno. O Instituto Butantã, em São Paulo, produz soros que deverão ser sempre conservados em geladeira e ao abrigo da luz. Os soros principais são o antibotrópico, contra a jararaca e a jararacuçu, e o antiofídico, contra a jararaca e a cascavel. Existem ainda o antilaquético, contra a surucucu, e o antielapídico, contra as cobras-corais.

Caravelas, medusas (águas-vivas) e celenterados

São agressivos, mas sem apresentar perigo de vida. O local da agressão apresenta dormência ou perda de sensibilidade. Os sintomas são agitação, angústia, mal-estar, palpitação passageira. O tratamento é feito com compressas, analgésico e sedativo. Estes seres têm o corpo gelatinoso, em forma de guarda-sol transparente, com filamentos. A água-viva é inócua, mas a caravela provoca queimaduras de primeiro e segundo graus, coceiras, suor, dor de cabeça e às vezes desmaios e falta de ar. O tratamento é feito com aplicação local de gaze embebida em solução de amônia diluída. O paciente deverá evitar coçar a área atingida, para evitar infecções. A pomada de xilocaína poderá aliviar o mal-estar decorrente.

Abelhas

Aqui também podem ser incluídos os marimbondos, as vespas, as formigas e as lagartas urticantes. As picadas causam dor, inchação (edema), vermelhidão (eritema) e aumento das ínguas (gânglios, adenopatia). Geralmente os sintomas desaparecem nas 24 horas que se seguem à picada. Nas crianças hipersensíveis, ou alérgicas, o quadro poderá se complicar com uma espécie de sufocação, isto é, um edema de glote. As picadas destes animais são mais graves nas crianças do que nos adultos.

Tratamento: local, com compressa de álcool com gotas de amônia, ou então solução de glicerina fenicada (10 a 50); caso tenha ficado preso o ferrão, ele terá de ser extraído. Tire-o desde a sua base, se houver; não o esprema, use uma pinça, e se possível aplique compressas frias. Se houver reação alérgica, aplique uma pomada ou creme antialérgico (anti-histamínico). Nos casos mais graves, o socorro médico é indispensável, aplicando uma injeção de uma solução milesimal de adrenalina, isto é, adrenalina a 1 por 1.000, na dose de 0,3ml subcutâneo. Não havendo resposta, poderá ser aplicada uma injeção intramuscular de Fenergan.

Lacraias (centopeia)

Não constitui perigo. Surge uma dormência no local, agitação e mal-estar, às vezes palpitações, todos sintomas passageiros.

Tratamento: com compressas, analgésicos e sedativo.

Aranhas

As mais conhecidas e temidas são basicamente duas: a viúva-negra, e a aranha caranguejeira. A viúva-negra é muito venenosa e a mais perigosa, porque pode se esconder em roupas, sapatos etc. e também viver em gramados e árvores. Tem hábitos diurnos e prefere as horas mais quentes do dia para atacar, ao passo que com as aranhas denominadas caranguejeiras, também conhecidas por nhanduguassu, os acidentes são mais raros, porque é uma aranha grande, facilmente vista, ao passo que a viúva-negra é pequena. A aranha caranguejeira tem hábitos noturnos, é pouco agressiva, foge mais do que ataca, e vive sobretudo na zona rural.

Tratamento: feito com soro, preparado no Instituto Butantã. O tratamento mais prático, porque nem sempre a aranha é identificada, é dar o soro misto antiaracnídeo. A medicação coadjuvante é feita pelos analgésicos e sedativos. Se houver prisão de ventre, poderão ser usados laxantes. O uso do antialérgicos (anti-histamínicos) poderá ser feito por via oral ou injetável, com a finalidade de evitar doença do soro.

Escorpiões

Dá-se o nome de escorpianismo o acidente causado pela picada do escorpião. Eles geralmente se ocultam em lugares frescos e sombrios. Os sintomas poderão ser constatados duas horas após a picada, com dores violentas, náuseas e vômitos. Ocorrem também distúrbios cardíacos, como a síncope, isto é, a parada cardíaca, ou então a parada respiratória. Ocorre mal-estar, agitação, lacrimejamento e dormência. Nem sempre existem estas formas graves; às vezes a manifestações são benignas, com a inflamação local, fraqueza e sonolência, sem maiores complicações.

Tratamento: pelo soro fornecido pelo Instituto Butantã.

Sapos

As rãs não possuem veneno, mas os sapos, sim. O veneno do sapo é branco, leitoso, viscoso, pegajoso, projetado em gotículas ou pequenos jatos. Este veneno não penetra na pele, a não ser que haja algum ferimento. O simples contato com as mucosas, lábios, boca e conjuntiva ocular é perigoso; procure socorro médico.

Picadas de insetos

Inicialmente devemos separar as picadas de pulgas, pernilongos, carrapatos das picadas de formigas, marimbondos, abelhas, vespas etc.

Quando a criança tem alergia às primeiras, costumas surgir no local uma pápula vermelha, com um ponto mais elevado e amarelado. Esta lesão é muito pruriginosa, sendo chamada de estrófulo. Deve-se passar no local uma mistura de água e vinagre, para a coceira diminuir. Pode-se usar também antialérgicos.

Para evitar essas picadas, pode-se usar o complexo B, pois assim a criança vai eliminá-lo pelo suor, funcionando como repelente para os mosquitos.

O segundo grupo poderá apresentar maiores problemas.

Para evitar a picada

Os repelentes são úteis quando usamos corretamente, entretanto são efetivos entre 45 minutos e duas horas após a aplicação na pele, havendo necessidade de uma reaplicação.

Não há tratamento para curar picadas de insetos, os cuidados são para melhoras a dor e evitar infecção secundária. Geralmente a inflamação e a vermelhidão atingem o máximo após uma ou duas horas da picada. Se depois de duas horas continuar a aumentar a dor e a vermelhidão e a criança apresentar febre, o médico deverá ser comunicado e o caso de verá ser discutido com ele, mesmo que seja pelo telefone. A aplicação de compressas frias, pedras de gelo no local podem reduzir a dor e o prurido (coceira). Loções e cremes são de pouca utilidade. A administração por via oral de anti-histamínicos pode melhoras a coveira e a inchação. Deve-se evitar que a criança coce o local da picada, pois há perigo de infecção. As unhas deverão ser cortadas bem curtas. Em algumas crianças poderá haver reação alérgica generalizada, exigindo maior cuidado. Às vezes esta reação se manifesta horas após a picada, consistindo em urticárias generalizadas, fraqueza, tonteiras, náuseas, dores de barriga e dificuldade de respirar. Os insetos que habitualmente provocam estes sintomas com suas picadas são as abelhas, as vespas e os marimbondos; e se estes sintomas se agravarem, deverá ser procurado, sem perda de tempo, um hospital, porque há possibilidade de choque anafilático.

Queda (tombo)

Não há criança que não caia. E tanto é que a natureza lhe deu a mesma sensibilidade periférica, bem menor do que a do adulto; geralmente ela não se machuca, e o ditado popular diz: “À criança e ao borracho, Deus põe a mão por baixo” evitar quedas, porém, é o dever de quem toma conta das crianças. Não deixem que elas subam em mesas ou cadeiras e sobretudo, que crianças maiores as levem no colo. As quedas poderão causar sustos, às vezes pequenos, de consequências graves, e outras vezes grandes, absolutamente sem consequência. O maior perigo está em afetar a cabeça e as clavículas. Nos casos de quedas leves, de lado, sobre os ombros, é comum as clavículas se partirem, o que aterroriza pelo choro e pela imobilidade do braço correspondente. Já na cabeça, o que se observa comumente é a formação de um galo, tumor formado em consequência do traumatismo, o que necessita, na maioria das vezes, de cuidados. Apresenta, às vezes, forte coloração arroxeada, em consequência de extravasamento do sangue, devido à ruptura de alguma veia, mas sem maior importância. Outras vezes fica apenas edemaciado (inchado). Após uma queda, a criança poderá apresentar febre, causada pelo choque, devendo ceder logo, sem necessidade de medicamento algum.

No caso de queda, como proceder?

Coloque a criança na cama e observe qualquer alteração. Para tranquiliza-la, dê-lhe um pouco de água açucarada. No caso de ter havido ferimento, aplique-lhe pomadas neutras ou antissépticas. Se houver suspeita de fratura, leve-a ao hospital. Passado o susto, se a criança começar a mostrar desejo de brincar novamente, não deve haver nada de importante e o melhor é esquecer a queda. Mas se a criança continuar chorando, queixando-se de dor localizada, de algum membro, ou continuar excitada, agitada, chame o médico.

Queimaduras

Extensas ou profundas, por choque elétrico ou quando atingem os olhos, rosto ou dedos, o socorro médico é indispensável e urgente.

Queimaduras pequenas

Apresentando vermelhidão ou formação de bolhas, são as que poderão ser tratadas em casa pelos pais, devendo ser tomados os seguintes cuidados:

  1. Lave a área afetada suavemente, com água e sabão;

  2. Aplique compressas frias. Se forem as mãos, deverão ser mergulhadas em água fria;

  3. A dor geralmente passa, ou diminui, em meia hora ou uma hora;

  4. A antiga prática de aplicar pasta de dentes, manteiga, gordura ou azeite, deverá ser evitada;

  5. As aplicações gordurosas não ajudam a curar e poderão ser causas de futuras infecções;

  6. Sprays, pulverização de anestésicos, comprados sem prescrição médica, poderão abrandar a dor, porém poderão sensibilizar e provocar reações alérgicas futuras, e por este motivo não são recomendados;

  7. Depois de ter sido limpa a lesão, poderá ser aplicada uma pomada de vaselina esterilizada ou sulfadiazina de prata, que poderá atenuar a dor, mas não é indispensável para a cura;

  8. Um curativo não é necessário, a não ser que a queimadura esteja num local sujeito a atritos e pancadas. Neste caso, use gaze esterilizada com vaselina para evitar que fique colada à pele;

  9. A formação de bolhas dá uma proteção, evitando infecção. A bolha, se for grande demais, poderá ser furada com uma agulha ou alfinete fervido ou flambado, mas a parte da bola que adere à pele verá ser deixada. Habitualmente as bolhas murcham e desaparecem após alguns dias;

  10. Sempre é prudente consultar um médico, mesmo no caso de uma queimadura pequena;

  11. A aplicação de antibióticos ou do reforço da vacina antitetânica ficara a critério exclusivo do médico;

  12. Para as queimaduras mais graves, o tempo de cura dependerá da profundidade da lesão, se somente parte da pele foi destruída, como acontece no caso de queimaduras por líquidos quentes, com uma nova pele se formando em até três semanas. A nova pele poderá ser mais escura, levando meses para adquirir a tonalidade normal.

Sufocação (engasgo) causada por ingestão ou aspiração de objetos estranhos

Se a criança estiver sufocada por ter engolido algum objeto, que possa ser visto facilmente pinçando de sua boca, isto deverá ser feito imediatamente. Se o objeto estiver fora de alcance, o melhor é não tentar tirá-lo, porque só poderá piorar a situação. A Academia Americana de Pediatria aconselha o seguinte: dê tapas vigorosos nas costas das crianças e depois comprima repetidamente o tórax, sempre com a cabeça da criança em posição mais baixa do que o tronco. A técnica deverá ser executada novamente se houver necessidade. Se não surtir efeito, leve-a imediatamente ao hospital. Porém, se a criança sufocada repentinamente se sentir bem, o objeto não aparecer nem for devolvido, tudo indicará que ele passou pelo esôfago (tubo que leva os alimentos da boca para o estômago), e se não apresentar dor no pescoço (à altura da garganta) ou respirar com dificuldade, não haverá nenhum problema.

Porém, se o objeto se localizar nas vias aéreas, se a criança apresentar tosse, respiração difícil, dispneia, dor no pescoço, uma radiografia mostrará se está na traqueia, nos brônquios e se há alguma lesão pulmonar consequente (pneumonia, enfisema, atelectasia). Objetos redondos, como contas e bolas de gude não acarretam problemas, atingindo o estômago sem dificuldade. Na maioria das vezes eles travessa, o aparelho digestivo e depois de dois ou três dias aparecem nas fezes, que deverão ser observadas. Se após cinco dias não aparecerem, o médico deverá ser consultado. Porém, se o paciente apresentar dor abdominal, vômitos, ou sangue nas evacuações, alguma complicação se estabeleceu, devendo ser resolvida com urgência. No caso de o objeto engolido ser se forma irregular (alfinetes, pregos, cacos de vidro), a presença do médico é necessária desde o início, porém há a possibilidade de tudo correr bem.

Cadastre-se e receba nosso conteúdo por e-mail

Talvez você também goste de:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *