Saúde

Riscos e mitos sobre a vacinação contra o H1N1 em bebês

Sem medo de vacinar nossos filhos!

 

*Por Ivone Azevedo, pediatra

 

 

Nos últimos dias, notícias sobre a associação entre a vacina da gripe H1N1 e doenças como a Narcolepsia, que causa sono súbito,  distúrbios como autismo e intoxicação por excesso de mercúrio nas fórmulas, deixaram pais e mães de crianças entre seis meses e três anos apavorados com as dúvidas sobre os reais efeitos da vacinação nessa faixa-etária. Mas o que realmente é verdade? Nossas crianças correm mesmo riscos de terem efeitos colaterais tão graves se tentarmos imunizá-las contra essa grave doença?

Vamos por partes. As informações sobre a associação das doenças com a vacina não são falsas. Em 2010, houve realmente a proibição da distribuição da vacina na Finlândia. O argumento era de que os casos de narcolepsia aumentaram 300% em crianças menores de cinco anos e a causa aparente seria a reação à vacina. Ocorre que em 2014, foi concluído o estudo realizado pela entidade americana Center for Desease Control and Prevention, que concluiu não haver relação direta entre a doença e a vacina.

Mas, embora o estudo tenha sido assinado por pesquisadores conhecidos nos Estados Unidos, não reduziu em quase nada o medo da vacina entre europeus e americanos. E, cá entre nós, também entre os brasileiros. Afinal, quem dorme em paz com a dúvida sobre os reais efeitos da vacina? Filho é filho e, se é para errar, que seja pelo excesso de zelo. 

O que torna então o Brasil mais seguro quanto a isso?  O fato de que nossa vacina, a que está sendo distribuída nas campanhas, é nacional. É produzida pelo Instituo Butantã e não apresentou casos de reações relevantes e permanentes desde que começou a ser fabricada. A vacina posta em xeque na Europa é a Panderix, fabricada pelo laboratório GlaxoSmithKline.Se ficar em dúvida, peça para ler o rótulo da vacina antes de ser aplicada no seu filho. Em regra, isso já deve acontecer para mostrar a data de validade e confirmar se a vacina é a correta.

 

Outra informação parcialmente verdadeira é a da presença de mercúrio na fórmula produzida no Brasil. Em índices acima da média, a substância pode causar distúrbios, entre eles o autismo. Ocorre que a concentração de mercúrio na vacina distribuída no aqui é de 25 microgramas por dose de 0,5ml. A substância serve para evitar crescimento de fungos ou bactérias, no caso de a vacina ser contaminada acidentalmente na hora da punção repetida no frasco usado para várias doses. Nessa quantidade o mercúrio não é perigoso, até porque é utilizado rotineiramente em outras vacinas, como na Tetravalente (contra Tétano,Difteria,Coqueluche,Meningite) e na Tríplice Viral (contra Sarampo,Caxumba, Rubéola).

Embora a vacina distribuída pelos postos de saúde não apresente relação com os problemas levantados, os pais de crianças entre seis meses e três anos devem ficar atentos a um detalhe relevante: a dosagem que será aplicada no seu filho. Em clínicas particulares, essas crianças recebem vacina pediátrica especifica, com a dosagem inferior à vacina normal aplicada em crianças e adultos. Em Brasília, por exemplo, a pediátrica esgotou-se rapidamente na rede privada e não foi reposta. Por isso, a maioria das clínicas negou-se a vacinar crianças nessa faixa-etária.

 Na rede pública, entretanto, a metodologia é diferente. Aplica-se a metade da dose indicada e depois se faz o reforço. Crianças menores de três anos podem reagir mal a uma dose superior à metade, que entre outras coisas provoca vômitos e febre. A questão é que não há previsão para a chegada da vacina especifica para essa faixa-etária que é, diga-se, a de maior risco porque o sistema imunológico ainda é frágil e incapaz de combater o vírus  H1N1. 

O que fazer então? Fiz a pergunta ao meu colega pediatra Marcelo Feitosa Soares, dono de uma clínica de vacinação em Brasília e que aguarda a chegada da vacina pediátrica. A resposta dele resume o sentimento e a preocupação de nós, pediatras, com as crianças diante da ameaça da gripe H1N1: “Melhor a dose reduzida da vacina comum do que nenhuma imunização. O mais importante é proteger as crianças!”. Por isso, não protelem a ida aos postos de saúde. Acreditem: vacinar nossos filhos é a maior prova de amor.

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