Saúde

Os riscos dos sabonetes antibacterianos para crianças

*Por Ivone Azevedo

Na semana passada, a agência americana que regula alimentos e medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), proibiu o uso de 19 produtos químicos usados em sabonetes antibacterianos e outros produtos de limpeza. Entre eles, o triclosan e o triclocarban, substâncias comuns nos sabonetes que circulam aqui pelo Brasil.

Embora a proibição não tenha sido ratificada pela Anvisa e não seja válida (ainda) para o Brasil, minha orientação para as mães dos meus pequenos pacientes tem sido a de nunca utilizar sabonetes antibacterianos nas crianças, cujos rótulos prometem eficácia de quase 100% no combate aos germes. E isso tem motivos…

Há anos, especialistas estrangeiros estudam os efeitos das principais substâncias de combate às bactérias, entre elas as mais conhecidas: triclosan e triclocarban. Os dois pesticidas circulam nas fórmulas cosméticas desde a década de 70 e funcionam como eliminadores de  (algumas) bactérias. Por isso, tornaram-se componentes obrigatórios em produtos que prometem livrar as pessoas dos germes e as crianças das frequentes virosas típicas da infância.

Os resultados das pesquisas envolvendo essas substâncias são cada vez mais preocupantes. Os dois estão ligados a problemas de saúde graves como resistência a antibióticos e até câncer. Em um artigo publicado em 2007 na revista Clinical Infectious Disease, pesquisadores concluíram que a inclusão do triclosan nas fórmulas dos sabonetes comuns não tornava ninguém menos vulnerável a diarreias, tosses ou  infecções de pele. Estudos posteriores mostraram ainda que essas duas substâncias podem interferir no sistema no desenvolvimento dos fetos e são transmitidas pelas mães através do leite materno. Ou seja: utilizar produtos com essas substâncias resulta em um conjunto de riscos desnecessários e sem os efeitos benéficos prometidos nos rótulos e comerciais. Por isso, a melhor fórmula para defender as crianças é o uso da água com sabão comum. E quando necessário, um álcool com concentração acima de 60% pode ser usado para finalizar a higiene.

Se você ficou preocupado, verifique o rótulo do sabonete utilizado por seus filhos e também o do detergente usado para higienizar os utensílios da cozinha. Não será difícil encontrar triclosan ou triclocarban entre os componentes das fórmulas. Nesses casos, eu recomendo que troque a marca e opte por produtos comuns.

Os Estados Unidos têm sido pioneiros em pesquisas relacionadas a substâncias químicas e seus efeitos em humanos. E suas conclusões costumam ser ratificadas por outros países, mesmo que anos depois. Enquanto o Brasil não se posiciona, meu conselho é seguir a orientação dos americanos e optar por marcas que não contenham componentes perigosos para a saúde dos pequenos.

*Ivone Azevedo é pediatra

Cadastre-se e receba nosso conteúdo por e-mail

Talvez você também goste de:

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *