Gravidez

Qual é o momento ideal para ter o segundo filho?

*Por Láyra Santa Rosa

A decisão de ter mais um filho costuma mexer com a rotina de muitos casais. A segunda gravidez normalmente é planejada, mas gera dúvidas sobre qual o momento certo para recomeçar. Alguns preferem ter um filho logo após o outro. Enquanto outras pessoas  optam por esperar que o primeiro cresça antes de seguir para o próximo bebê. O que muitos especialistas dizem é que as duas opções têm prós e contras, mas devem ser bem analisadas para o futuro da família.

Para a psicóloga e mãe de duas crianças, Júlia Lagos Oliveira, não existe fórmula pronta para tomar essa decisão, mas é importante que o casal decida junto. “Cada pessoa sabe o que é melhor para si. É uma decisão que deve ser em conjunto, já que o peso de outro bebê precisará ser ainda mais dividido. São duas crianças querendo atenção e quanto mais o casal estiver em sintonia, mas fácil vão passar por essas etapas”, relata.

Se opção do casal for ter um filho próximo do outro, é necessário lembrar que os cuidados serão mais intensos. Os pais que costumam ter filhos sem dar anos de espaço defendem a teoria que quanto menor a diferença, maior será o trabalho, porém, passa por essas experiências de uma única vez. Para os filhos, o aprendizado de divisão e unidade familiar acaba acontecendo mais cedo.

É importante lembrar ainda que a chegada de um irmão envolve muitos aspectos emocionais para o primogênito da família. É através da convivência com outra criança tão próxima que o maior consegue de forma mais intensa aprender a dividir, saber esperar e tolerar a frustração.  “É importante que seja reservado um tempo de atenção só para o mais velho. Sabemos que a chegada de um irmão traz algumas perdas, mas poder mostrar que o seu lugar está garantido traz mais segurança à criança. Dessa forma, se todos estão envolvidos nos cuidados com os filhos, essa transição pode ser mais tranquila”, afirma Júlia Lagos. “Muitas vezes acabo transformando meu maior em um ajudante com o menor. Ele se torna parceiro e tem descoberto o papel de irmão mais velho, mas sempre busco ter o tempo só para ele. Isso também é importante para que ele se sinta valorizado”, completa a psicóloga.

Do ponto de vista biológico da mãe, o limite de espaço entre um filho e outro depende da idade da mulher e da disposição de recomeçar a jornada com um bebê depois de muito tempo. O alerta de especialistas é para a situação inversa, ou seja, quando a decisão é ter um filho em um curto espaço de tempo em relação ao outro. Isso porque os primeiros meses após o nascimento do bebê servem para que o corpo da mãe se recupere. Nesse período todo o organismo muda e leva um tempo para voltar ao normal.  Diante dessa situação, é preciso ter um pouco de calma antes de tomar a decisão de iniciar um novo ciclo gestacional. Emendar uma gravidez na outra pode gerar danos para a saúde da mãe e do bebê.

Segundo o médico ginecologista e obstetra Bruno Ramalho, entre as consequências de uma gravidez muito próxima a outra estão partos prematuros, nascimentos de crianças com baixo peso ou pequenos para a idade gestacional. “Estima-se que o corpo da mulher esteja preparado para uma nova gravidez cerca de nove meses depois do parto. Do ponto de vista médico, pensando na saúde da mulher e da criança, uma gravidez muito próxima do parto anterior, que termine em um novo parto em menos de dezoito meses, pode evoluir com complicações obstétricas relacionadas à prematuridade e à restrição de crescimento intra uterino”.

Outro alerta é para mães que se submeteram a cesarianas e decidem engravidar num curto espaço de tempo entre as gestações.  O motivo é que a cicatrização interna desta cirurgia é mais lenta. “Por mais que não tenhamos bases científicas sólidas para fazer qualquer afirmação, é inevitável pensar que a existência da cicatriz uterina da cesariana inspire mais preocupação e atenção por parte da equipe que acompanha o parto subsequente. O risco para uma mulher submetida previamente a uma cesariana é de ruptura uterina, isso principalmente quando falamos de um parto vaginal subsequente. Entretanto, se respeitado esse intervalo de segurança de 18 meses entre partos e tendo sido a cesariana realizada com incisão transversal, o risco é tão baixo que se justifica tentar o parto vaginal”, explicou.

Para o médico, no momento de decidir sobre o momento de ter mais um filho é necessário avaliar também a relação entre a mãe e a criança, que nos primeiros meses de vida costumam ser bem intensas. “Pensando nisso, eu arriscaria dizer que os intervalos saudáveis entre partos seriam de dois anos. Nessa idade a criança deixa de ser lactente para entrar na fase pré-escolar, adquire mais independência e aproxima-se mais do pai e dos demais familiares. Antes disso, o vínculo com a mãe é muito forte e a relação de dependência, necessária ao desenvolvimento, pode ser abalada pela chegada de um irmão”, ressalta Bruno Ramalho.

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