Na escola

Melhor manter ou mudar a composição das turmas escolares a cada ano?

O início do ano letivo desperta em pais e filhos sentimentos de apreensão e dúvidas quanto à composição das turmas das escolas. Para as crianças, a preocupação maior é se estarão juntas aos melhores amigos, enquanto os pais torcem para que os filhos permaneçam com grupos que se identifiquem e possam contribuir com a tranquilidade emocional durante o ano escolar.

Os métodos e os critérios para compor as turmas variam de acordo com a instituição. Algumas preferem ser mais conservadoras e priorizam os laços de amizade, mantendo praticamente as mesmas turmas, ano após ano. Mas, o que tem ganhado cada vez mais espaço nas escolas brasileiras é o método de enturmação, que ocorre quando os alunos são misturados nas turmas, permanecendo com poucos colegas do ano anterior.

Há argumentos relevantes e convincentes para ambas as condutas das escolas. Quem aposta na estabilidade da composição das turmas, defende que só assim é possível estabelecer vínculos duradouros e contribuir para que as crianças tenham referências de amizades e relações. “Acreditamos que manter a maioria da turma de um ano para o outro facilita a adaptação, ajuda os alunos a enfrentarem os desafios inerentes a um novo ano escolar e contribui com o estabelecimento de vínculos fortes de amizade”, diz a pedagoga Ivana Carvalho, diretora do Colégio Sigma, da Asa Norte, em Brasília.

Para Ivana Carvalho, a opção por manter a composição das turmas implica um papel importante da escola, que é o de tornar o ambiente agregador e familiar. Dessa forma, além de contribuir com a estabilidade emocional de crianças e adolescentes que continuarão com os amigos, o vínculo e as afinidades entre os pais, especialmente quando as crianças ainda estão na educação infantil e ensino fundamental, não será rompido a cada ano. “Óbvio que, em alguns casos, trocar a turma é importante para o grupo e para a criança. Mas fazemos isso de forma combinada com os pais e ouvindo os alunos, sempre que possível”, explica a pedagoga.

Para escolas que priorizam a enturmação, os argumentos para o uso do método envolvem o desenvolvimento da capacidade de socialização das crianças e a possibilidade de fazê-las descobrir-se como pessoas sem a interferência dos amigos mais próximos. Para a psicóloga cognitiva comportamental, Patrícia do Vale, que atua no Colégio Internacional Everest, em Brasília,  a experiência de misturar as turmas a cada ano tem se mostrado extremamente proveitosa para a formação da personalidade e da autoestima das crianças. “É incrível ver como os alunos se adaptam bem às mudanças e começam a perceber rapidamente que podem fazer novos amigos, que são capazes de se adaptar e que não dependem de outra pessoa para ser feliz. Eles adquirem confiança e se preparam para as mudanças que virão ao longo da vida”, avalia a psicóloga.

Para Patrícia do Vale, na hora de definir a composição das turmas é importante levar em consideração a permanência de pelo menos um amigo de referência de cada aluno, para que não se sintam como se tivessem mudado de escola. “Com parte dos colegas de sala do ano anterior e outra parte vinda de outras turmas, as crianças tendem a sentir-se seguras ao mesmo em tempo que precisam se recolocar no espaço escolar de forma independente. Por exemplo, uma criança que foi líder no ano anterior, pode não ser diante de uma nova composição da turma. Ao mesmo tempo, alguém tímido, pode ficar mais atuante diante de novos colegas. E assim, treinamos essas crianças para as mudanças e para as frustrações, que são inevitáveis”, diz ela.

As vantagens e desvantagens de ambos os critérios utilizados pelas escolas para formar turmas devem ser pesados e avaliados pelos pais na hora de escolher a escola dos filhos. O meio termo, segundo a psicóloga infantil Nair Silveira, deve ser um bom parâmetro para analisar esses métodos. “Tudo que é extremo não é saudável. O ideal é que as mudanças ocorram tranquilamente. Criança muda de escola, muda de cidade e de amigos. Mas isso deve ser um processo natural e sem imposições. Acredito que a busca do equilíbrio é a melhor saída para que elas enfrentem mudanças de forma saudável e sem sofrimento”, diz a psicóloga.

Um ponto de concordância entre as especialistas é sobre a importância da atenção dos pais às reações e ao desenvolvimento emocional da criança. Ao perceber que o filho não se adaptou às mudanças ou sente muita falta de algum colega especifico, é recomendável procurar a escola para pedir mudança da turma. Da mesma forma, se problemas do ano anterior persistirem por conta da manutenção da turma, será válida uma conversa na escola para pedir mudanças pontuais. O que todos os pais devem ter em mente é que o ambiente escolar deve ser atrativo para os alunos e eles precisam sentir-se felizes nas turmas e nas escolas em que estão inseridos.

 

* Equipe Maadu

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3 respostas em “Melhor manter ou mudar a composição das turmas escolares a cada ano?

  1. Tatiana Magalhães disse:

    Reportagemn veio em otima hora. Minha filha estuda no marista e eles vinham mantendo as turmas. Este ano, mexeram muito e ainda estou pensando o que as crianças ganham com isso…Penso como a coordenadora do Sigma. Amizades duradouras e estabilidade emocional contam muito.

  2. Viviane Assunção disse:

    Acho importante misturar para evitar panelinhas e dependencia emocional das crianças. A vida não será fácil se dependerem de algum amigo para tudo.

  3. Eduarda Vignolin disse:

    Na escola do meu filho, misturaram tanto que ficou todo mundo sozinho. Colégios pequenos podem até fazer isso porque olham para as crianças individualmente e conhecem a referência delas, como bem a psicologa destacou a importância…
    Porém, colégios grandes não deveriam se atrever a tamanha ousadia porque a chance de errar é imensa. No final, valia só a opinião de uma unica professora, que não entendia nada e separou amigos com afinidades para colocar com quem tinham algum tipo de richa (comuns entre adolescentes!). Até agora a fila de mães reclamando está imensa. Péssima experiência.

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