Economia Doméstica

Quanto a escola das crianças deve consumir da renda familiar?

 

Por Alinne Delgado

   

A certeza de que educação de qualidade é a melhor herança que se pode deixar para um filho tornou-se consenso entre pais e mães. Em busca dos acertos na escolha da instituição onde vão colocar os filhos, muitas famílias estão extrapolando os gastos com educação, matriculando as crianças em escolas caras demais em relação ao orçamento familiar e comprometendo mais do que 15% da renda com as mensalidades: um erro grave de planejamento e prioridades, segundo especialistas.
Para saber se essas despesas estão dentro do indicado para a família, a conta é simples. A mensalidade da escola deve ser acrescida de 50% para o cálculo real do gasto com educação. Isso porque há as atividades extracurriculares, os lanches, passeios, uniformes, materiais etc.  É com esse custo que a família deve trabalhar seu planejamento. Para o educador financeiro Conrado Navarro, do site Dinheirama, as despesas fixas da casa não podem ultrapassar 50% do rendimento líquido da família. E nesse total, a conta dos gastos com escolas (incluindo os 50% a mais da mensalidade) devem entrar.
Os riscos de assumir com a educação das crianças gastos superiores a esses limites são muitos. Para o  economista Cláudio Talá, mestre em administração financeira, é preciso considerar que educação é um investimento de longo prazo e os gastos podem dar saltos de até 25% nas mudanças de estágio escolar, como a entrada no ensino médio ou a saída do ensino infantil para o fundamental. “Além disso, há os reajustes anuais das mensalidades escolares, que muitas vezes superam a inflação. Enquanto isso, muitos pais não conseguem sequer aumentos salariais que reponham as perdas inflacionárias”, diz.
Nesse contexto, o risco de forçar o orçamento para colocar o filho em uma escola mais cara pode comprometer, inclusive, o futuro escolar da criança e a qualidade de vida da família. Segundo o professor Samy Dana, da Escola de Economia de São Paulo, os gastos variáveis precisam ser considerados porque significam prazer e garantem a saúde psicológica dos integrantes da família. O desequilíbrio é sempre oneroso porque compromete a poupança e o patrimônio para de crescer. Para ele, o planejamento familiar deve considerar percentual ainda menor dos gastos fixos em relação à renda familiar:  30% das receitas, incluindo nesse percentual a educação.
Além dos aspectos relacionados à compatibilidade financeira entre a família e a escola, os pais devem considerar ainda o fato de que ao colocar o filho em uma instituição que consuma mais do que os 15% da renda familiar, a criança estará inserida em grupos de amigos com realidade e poder aquisitivo diferentes do dela. O que pode acarretar cobranças e, no futuro, muita frustração para todos os lados.
Vale lembrar que as crianças devem ser criadas de acordo com o padrão de vida da família, com a realidade em que vivem. Saídas alternativas como pedir ajuda a parentes para pagar mensalidades que não cabem no bolso, solicitar na direção do colégio bolsas e descontos ou cortar gastos variáveis para sobrar dinheiro para a mensalidade, em nada ajudam no equilíbrio da saúde financeira da família. Pelo contrário. Por não serem saídas definitivas podem  podem gerar problemas no futuro e prejudicar a estabilidade emocional da criança. O desafio é manter o padrão e nunca, nunca mesmo, assumir gastos maiores do que a capacidade de quitá-los. O importante é poupar e programar-se para manter a continuidade  da educação dos filhos. E para isso, é preciso desde já fazer o investimento com base na realidade financeira da família.

 

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