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Timidez: quando os pais devem ficar alertas

As reações das crianças são sempre as mais espontâneas e surpresas. Quando estão num ambiente familiar ficam mais espertas e soltas, enquanto em novos ambientes costumam ficar mais acuadas. E quando alguém que não conhecem se aproxima para falar com elas? Muitos se escondem atrás dos pais. O motivo é que os pequenos ainda não sabem como é se relacionar. Na infância a timidez costuma ser comum.

O que as famílias esperam é que esse estado mude com o passar dos anos, mas é preciso atenção caso isso atrapalhe o relacionamento com seus pares. É aí que os casos de retração social podem atrapalhar o desenvolvimento. Segundo os estudos dos doutores em psicologia clínica Maria Inês Monjas, Vicente Caballo e Maria Luiza Marinho,  a habilidade de interagir adequadamente com os pares e com os adultos é um aspecto importante no desenvolvimento infantil, tendo em vista que a interação com os colegas é o foro no qual se desenvolvem as habilidades sociais. Nesse sentido, as crianças que não se relacionam com seus companheiros estão privadas da oportunidade de interagir com os demais e correm o risco de apresentar certas dificuldades emocionais em seu desenvolvimento.

O fato é que ser tímido, por si só, não é motivo de preocupação. No entanto, é preciso atenção aos próximos estágios comportamentais e aos níveis de timidez da criança. Para a psicóloga clínica infantil Giannini Deschamps, a definição da timidez entende que esse é um estado circunstancial e depende do ambiente no qual a criança está inserida momentaneamente.

“Se é um ambiente hostil e frio, a timidez tende a se apresentar mais aguda. Por outro lado, se o ambiente é amigável e caloroso, a criança tende a não apresentar timidez e passa a agir espontaneamente. Quando a criança, independentemente do contexto ambiental, apresenta dificuldades de expressão espontânea e genuína, deixando de participar ativamente do que é esperado dela, há evidências de dificuldades de relacionamento”, explica.

Para identificar qual a realidade do filho é importante que os pais observem o comportamento deles quando estão entre outras crianças da mesma idade. Esse pode ser o momento de observar como eles se comunicam, relacionam e brincam. A atenção deve ficar naqueles casos que a criança se isola, não participa por medo de chegar perto do grupo. É preciso ter em vista que as relações sociais são importantes desde a infância e vão acompanhar o indivíduo até o final da vida.

“As dificuldades de relacionamento podem ser vistas como obstáculos de ordem psicossocial de grau mais brando, que interferem nas relações das crianças com seus pares. Essas dificuldades impedem os pequenos de usufruírem e de internalizarem normas, processos e desenvolverem as necessárias habilidades interacionais. No foco dos problemas de ordem emocional, estão intimamente relacionadas a sentimentos de solidão, incompreensão, ansiedade e depressão. Sob a ótica comportamental, podem se expressar através de oposição, retraimento, agressividade e hiperatividade”, afirma Giannini Deschamps.

Especialistas ressaltam ainda que a inibição ou a dificuldade de relacionamento pode acontecer por um somatório de fatores, sejam de ordem genética, familiar, ambientais e experiências traumáticas. É importante salientar que as dificuldades relacionadas a inibição podem ser precursoras de fobia social, de maior complexidade e gravidade. Por isso é preciso que os pais fiquem atentos, uma vez que a linha que separa a timidez normal e os problemas sociais é tênue.

Para identificar essa dificuldade de relacionamento a escola e a família possuem papel importante. “Geralmente essas dificuldades são identificadas por alguém da família e muitas vezes somadas aos alertas feitos pela escola. Essa observação conjunta é fundamental para subsidiar e avaliar essas dificuldades para se buscar soluções pertinentes ao caso”, completa a psicóloga Giannini Deschamps.

 

Veja quando é preciso ficar atento ao nível de timidez da criança:

Ela sempre prefere brincar sozinha

Durante o recreio permanece sozinho, distante das outras crianças

Não inicia uma conversa; nunca tem a iniciativa para falar

Não se senta ao lado de uma criança desconhecida

Evita olhar nos olhos da pessoa com quem fala

Suas mãos suam quando está trabalhando em grupo

Gagueja quando lhe perguntam algo

Tem dificuldades para decidir algo e está sempre inseguro

É muito submisso, sempre faz o que os demais dizem, sem questionar

É muito calado e somente fala com pessoas com que tenha intimidade

Costumam ser muito dependentes dos adultos

Quando chega uma visita em casa, se esconde e não sai até que esta tenha ido embora

Costuma mostrar-se apático e passivo

É extremamente obediente

Não se defende quando alguma criança o agride

Gosta de estar com a professora; nos recreios fica perto dela

Chora facilmente por qualquer coisa

 

*Por Láyra Santa Rosa

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