Conselho é Bom

Meu filho começou a namorar. Como agir?

O tempo passou e aquela criança que você tem em casa começa a dar sinais de que as coisas mudaram. O comportamento é diferente da fase infantil,  o interesse pelo sexo oposto começa a aparecer e, em meio a tantas descobertas, surge o primeiro amor. A idade desse inicio de relacionamentos tem sido cada vez mais antecipada. Se a entrada no mundo adolescente anos atrás  era registrada entre  14 ou 15 anos, agora, psicólogos e médicos afirmam que aos 11 ou 12 anos, os jovens já iniciam relacionamentos e vivem paixões.  Para os pais, esse momento de transição gera dúvidas e preocupações, principalmente em como orientar os filhos, uma vez que essa é justamente a fase em que os jovens costumam ficar mais resistentes ao diálogo aberto em casa.

De acordo com a psicóloga Mariana Cardoso, especialista em Psicodrama e estudiosa da área do desenvolvimento infanto-juvenil, as mudanças corporal e hormonal geram insegurança diante da nova aparência e há o surgimento da libido.

“Nessa fase o desejo aparece junto com as dúvidas de como lidar com algo antes desconhecido. Meninos e meninas passam a ficar mais próximos. Se antes os grupos ficavam distantes e um implicava com o outro, passam a se divertir juntos. Há ainda a descoberta de como é gostar de alguém de forma diferente, já que surge a vontade de estar mais pertinho, trocar beijos ou carinhos, ou, ainda, a curiosidade sobre o sexo”, comenta.

É ainda neste período que surge a possibilidade de viver aqueles romances vistos em livros e filmes, às vezes até de forma platônica.  “É incrível como tudo isso pode passar rapidamente porque o encantamento nem sempre resiste ao namoro real. O resultado dessa vivência é a frustração, o imaginado não se concretiza.  Aqueles colegas que estão vivendo essa paixão servem de referência, direta ou indiretamente, para que os demais a sigam em busca de romance. Vale ressaltar que nessa fase, a influência dos amigos é grande em função da necessidade de identificação com o grupo. O adolescente busca fazer parte, ser aceito, estar incluído, sentindo-se assim seguro”, explica.

Como na adolescência tudo é intenso, cabe aos pais o desafio de encontrar a melhor forma de participar desse processo junto com o filho.  Na casa da professora Fernanda Aragão, os dois filhos,  Camila aos 14 anos e Henrique aos 16, já tiveram “namoricos” que deixaram os pais preocupados. “Dois adolescentes em casa não é fácil. É preciso equilibrar e ter paciência. Quando eles disseram que estavam namorando tomei um susto. Primeiro meu filho que, apesar de não falar tanto, teve um relacionamento com uma colega de escola. Pouco depois foi a vez da minha filha. Ficamos com aquele sentimento que eles cresceram e nem vimos o tempo passar. O jeito foi conversar e orientar. A nossa maior preocupação é que eles entendam seus sentimentos e se preparem para o que a vida tem proporcionado”, revelou.

Mas nem tudo são flores. Muitas vezes o jovem se dá conta de que a princesa não é tão perfeita assim, ou que o príncipe pode demorar aparecer. Fernanda passou por isso em casa, quando a filha terminou o relacionamento.

“A menina acaba sendo mais romântica e querendo embarcar em relacionamentos de novelas. Sabemos que não é por ai. Tentei consolar, mas nessa fase tudo é um turbilhão e parece o fim do mundo. Acredito que ela aprendeu e está amadurecendo para o futuro. Outros relacionamentos virão e ela tem que saber a hora de seguir”, comenta.

A psicóloga Mariana Cardoso acredita que quando o sentimento não é retribuído, os pais precisam dar importância sincera ao que o adolescente fala e expressa.

“O primeiro passo é não minimizar o que os filhos estão sentindo. Aquele sentimento é novo para o adolescente e, portanto, é natural que seja vivido com intensidade. Diante disso, não deve ser diminuído e sim acolhido. Os pais devem conversar abertamente com os filhos com o intuito de escutá-los, investigando os sentimentos envolvidos naquela paixão, bem como os comportamentos”, conta.

Quando o relacionamento fica mais sério,  o diálogo com os pais é muito importante. É nessa fase que eles se fecham, querem conversar menos e se informar com amigos ou na internet. É justamente na fase em que a vida sexual tem inicio e os pais precisam se aproximar.  “É sempre bom estar próximo dos filhos, acompanhá-los de forma respeitosa sem ser invasivo, mas lembrando que são adolescentes: não mais crianças e ainda não adultos. Precisam de orientação e espaço. Destaco que essa proximidade nessa fase é muito mais fácil se houver uma boa relação entre pais e  filhos desde a infância. Se assim for, a comunicação entre ambas as partes será natural. Por mais que o seu filho seja um adolescente, não descreva o seu relacionamento sério como “namorinho” porque é sério para ele. Conheça o namorado, oriente-o acerca de perigos típicos do namoro, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada e, principalmente, escute suas expectativas para esse novo momento. Sentindo-se confortável, dê dicas para ele viver o relacionamento como gostaria. O sexo irá acontecer agora ou daqui a um tempo. Então, nada de fugir do assunto ou recriminá-lo”, afirmou a psicóloga.

A médica pediatra Marilúcia Picanço destaca ainda a importância dos pais estarem atentos ao despertar dos filhos pela sexualidade.

“Embora a maturação sexual seja cada vez mais precoce e os jovens tenham sua primeira experiência sexual cada vez mais cedo, entre 13 a 15 anos para as meninas e entre os 15 a 17 anos para os meninos, é necessário a consciência dos pais para o risco entre os menores de 14 anos. É importante o diálogo e também o acompanhamento médico quando iniciado esse período”, coloca. “O início da vida sexual  quando não bem orientado nem apoiado pelas suas famílias pode ser arriscado. É preciso que os pais mantenham um diálogo aberto com seus filhos, explicando sobre sexo e como devem se proteger e cuidar do corpo evitando gravidez e DSTs precocemente, além do uso de substâncias psicoativas. O exercício da sexualidade deveria ser realizado com responsabilidade. Além disso, é preciso dar limites ao jovem. A adolescência é uma fase que precisa do limite de sua família, mas que deve ser pactuado com seriedade e serenidade. Isso implica em explicar detalhadamente os riscos e orienta-los na difícil fase da adolescência inicial que ainda não tem maturidade para escolhas”, diz a médica.

*Por Láyra Santa Rosa

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