Conselho é Bom

Paternidade tardia traz riscos para a saúde das crianças

*Por Alinne Delgado

As mulheres sabem que possuem um relógio-biológico para a maternidade e conhecem os riscos de adiar demais a gravidez. Mas e os homens? Afinal, eles permanecem produzindo espermatozoides até o fim da vida e por essa capacidade reprodutiva prolongada, parte dos integrantes do universo masculino tem deixado para pensar na paternidade depois dos 40 anos. Mas, dados científicos mostram que as coisas não são tão simples para quem acha que pode ser pai a qualquer tempo da vida e acredita que quanto mais tarde, melhor. Os riscos da paternidade tardia foram analisados em pelo menos três grandes estudos internacionais e é um tema comum entre pesquisadores e especialistas do mundo inteiro. A cada estudo concluído, mais doenças e problemas genéticos aparecem como sendo possíveis consequências dos espermatozoides alterados de pais mais velhos.
Um dos primeiros estudos sobre o tema foi publicado em 2006, na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e serviu de referência para outros que o sucederam. Realizada pelos professores Andrew Wyrobek, do Lawrence Livermore National Laboratory, e Brenda Eskenazi, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Califórnia, a pesquisa analisou 97 homens entre 22 e 80 anos. Descobriu a fragmentação do DNA e a queda na qualidade dos espermatozoides produzidos a medida que os homens envelheciam. Na época, o nanismo foi avaliado com um dos problemas mais preocupantes causados às crianças pela paternidade tardia.
Anos depois, entretanto, esse leque de problemas genéticos se mostrou ainda mais amplo e preocupante. Em 2012, a revista Nature publicou um grande estudo sobre esse efeito. Pesquisadores da Islândia e dos Estados Unidos especializados em genomas humanos analisaram 78 famílias cujos filhos tinham doenças genéticas e compararam com o DNA de crianças saudáveis.  Concluíram que nada menos do que 97% das alterações genéticas aleatórias recebidas pelas crianças vieram dos pais, e não das mães. E quanto mais velhos os pais, mais essas alterações resultavam em problemas como autismo e esquizofrenia.
Para se ter uma ideia da importância da idade dos pais para a boa formação genética dos filhos, esse estudo mostrou que os homens transmitem aos filhos quatro vezes mais alterações genéticas do que as mães. O trabalho publicado pela Nature afirma que um filho gerado quando o pai tinha 20 anos apresenta cerca de 25 mutações espontâneas, enquanto um pai de 40 anos é portador de 65 dessas alterações. Esses números aumentam com o passar dos anos.
Em 2014, um outro estudo, desta vez realizado na Suécia e abrangendo o amplo universo de  2,6 milhões de pessoas, veio corroborar com os dados sobre a os riscos da paternidade tardia. Publicado na JAMA Psychiatry, da American Medical Association, o estudo a equipe do professor da Universidade de Indiana, Brian D’Onofrio, em parceria com a Instituto Karolinska, de Estocolmo, mostrou que havia ainda um outro problema associado à idade paterna: a bipolaridade e transtornos como hiperatividade e déficit de atenção em crianças nascidas com pais com mais de 45 anos.
Segundo o relato dos pesquisadores, os filhos de pais mais velhos registraram maior probabilidade de desenvolver esquizofrenia, assim como de consumir drogas e até tentar suicídio. Problemas psicológicos atribuídos pelos pesquisadores ao material genético recebido. Em números, a pesquisa indicou objetivamente que os filhos de pais que tinham a partir de 45 anos possuíam 3,5 vezes mais chances de desenvolver autismo e 2,5 vezes mais possibilidade de comportamento depressivo do que crianças cujos pais tinham em torno de 25 anos na hora da concepção.
Dessa forma, a cada pesquisa publicada aumenta-se a certeza de que a paternidade tardia contribui com as chances das crianças apresentarem problemas genéticos e distúrbios psicológicos. São evidências de que os homens também possuem um relógio-biológico para sua vida reprodutiva, embora essa limitação não seja demonstrada com a redução da produção de espermatozoides, mas com a qualidade do que é produzido. Embora a decisão de ter filhos envolva os mais variados aspectos da vida dos casais envolvidos, não custa considerar também os riscos gerados pelo avanço da idade tanto do pai como da mãe. Afinal, está cada vez mais comprovado que a geração de uma criança saudável impõe a responsabilidade genética de ambos.

 

 

 

 

 

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